Sobre bebês e gatos: O mito da toxoplasmose
Publicado por Adriana Tamy Saito em 09/02/2009
Minha sobrinha Kaori e o Chico, o siamês da minha irmã, são grandes amigos. Minha irmã sempre adorou gatos e foi ela que me deu o Mingau, meu siamês querido, há uns 7 anos atrás. Mas quando ela engravidou da Kaori, a médica já foi logo dizendo que ela tinha que se livrar do Chico, que naquele tempo já estava com ela há uns 3 anos.
O motivo alegado é que gatos podem transmitir toxoplasmose, uma doença que pode provocar aborto ou má formação fetal. Como minha irmã é uma pessoa esclarecida, mais que essa médica com certeza, foi se informar sobre o assunto.
E o que ela descobriu, e eu também, ao me inteirar do assunto para este post, é que é muito difícil um gato caseiro passar toxoplasmose para suas donas. Pois cada gato infectado, embora conviva com a toxoplasmose a vida inteira, somente pode transmitir a doença através das fezes por um curto período, uma única vez.
É muito mais fácil uma grávida adquirir toxoplasmose por ingerir carnes mal cozidas ou verduras mal lavadas do que pelo seu gato. Gatos são criaturas muito asseadas e enterram suas fezes e não ficam com o pelo sujo. Para que as fezes dos gatos contaminados possam transmitir a doença devem estar expostas ao tempo por mais de três dias e a contaminação somente se dá pela ingestão dos oocistos formados depois desse período.
Quem ainda tem dúvidas, segue abaixo trecho extraído de matéria publicada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná:
“… A possibilidade de transmissão para seres humanos pelo simples ato de tocar ou acariciar um gato, ou até mesmo através de arranhões e mordidas, é considerada mínima ou inexistente. Ou seja, não se previne toxoplasmose congênita eliminando o gato uma mulher grávida, mas sim com cuidados higiênicos adequados na ingestão dos alimentos e com bons hábitos de higiene pessoal.
O uso de luvas e pazinha para a coleta diária das fezes dos gatos, a adequada lavagem das caixas de areia e das mãos são medidas simples, suficientemente eficazes para não se entrar em contato com o agente da toxoplasmose, uma vez que os oocistos, quando eliminados pelas fezes, necessitam de dois a cinco dias para esporular e se tornar infectantes, e permanecerem como tal por períodos de anos…”
Assim, simples hábitos de higiene são suficientes para se prevenir da toxoplasmose. Esses mitos de que grávidas não podem ficar perto de gatos e não podem ter gatos em casa são tremendas besteiras.
Minha irmã não deu ouvidos a essas bobagens e teve uma gravidez tranquila. Desde que nasceu a bebê, o Chico vive em volta dela e ela faz ele de gato e sapato. Recentemente a Rachel Barbosa escreveu um post bacana no Monalisa de Pijamas sobre a vantagem do convívio entre crianças e animais. Dentre as vantagens ela coloca o aumento da imunidade, o estímulo da coordenação motora e o desenvolvimento das relações afetivas.
Pelo que vejo da convivência da minha sobrinha com o Chico, todas essas vantagens realmente se aplicam. Pois minha sobrinha está se desenvolvendo uma criança saudável, alegre e muito carinhosa, seja com os animais, seja com as pessoas. Bom, já pelo lado do gato… Chico nem parece que é gato, deixa a bebê aprontar um monte com ele. Conta a mãe que outro dia Kaori deitou-se em cima dele e os dois foram escorregando ladeira abaixo na rampa da garagem: Chico embaixo de skate. Aí embaixo tá ela recentemente enfiando o dedo no olho do gato. É… ter bebês em casa pode ser perigoso para seu gato.
Saiba mais:

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Rachel said,
Nunca vi um gato tão tranqüilo ao ser “abusado” por uma criança rsrs
Angelo Marcondes said,
Adriana,
Adorei seu post. Foi simplesmente muito elucidativo. Vou encaminhar para a ginecologista da minha esposa.
Parabéns pelo post.
Flavia Polyana said,
Tenho 2 gatos, e queria saber sobre a caixinha de areia.
Tem vez que demoro alguns meses p/ troca-la, e em breve quero engravidar isso vai prejudicar na minha gravides.
E me falaram que os gatos prejudicam no cresimento do bebe isso é verdade ou é mito???
Adriana Tamy Saito said,
Olá Flávia!
Basta vc recolher as fezes todos os dias e lavar a caixinha de areia a cada quinze dias que não há problema.
Existem muitos mitos em torno dos gatos e é tudo besteira, ter bichinhos em casa não prejudica o crescimento dos bebês.
Ruan said,
Realmente adorei.
Você tirou de mim um peso!
Acabei de adotar uma gatinha, o nome é Lyncis..
tava preocupado com isso. ^^’
Mafalda said,
Adriana, sua sobrinha é muito linda e o Chico também é uma graça! Muito bacana o post e esclarecedor.
Beijos,
Mafalda
Marisa said,
Adorei esse post! Nada a ver esses médicos preconceituosos com nossos bebês gatos! Fico louca com isso!
Quando estava grávida, resolvi de vez o problema: meu marido é que trocava a areia e limpava a caixinha. rsrsrsrs!
Mas a verdade é que é um absurdo ter que se desfazer de um bichinho que estava afetivamente e fisicamente ligado às pessoas e à casa onde ele mora simplesmente por falta de informação. Gatos caseiros e com cuidados veterinários provocam menos riscos do que comer carne num restaurante!
Agora, cá entre nós… se uma pessoa não mantém a areia do seu bichano diariamente limpa (ou seja, chega ao ponto de ficar 2 a 5 dias a sujeira lá exposta), acho que também não vai ser lá muito boa mãe…
Achei o máximo a brincadeira de que “bebês em casa podem fazer mal para seu gato” hehehe… Conheço um menininho que faz do gato da minha amiga a sua “moto” e o gatinho deixa…
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