Sobre bebês e gatos: O mito da toxoplasmose

Kaori e Chico

Minha sobrinha Kaori e o Chico, o siamês da minha irmã, são grandes amigos.  Minha irmã sempre adorou gatos e foi ela quem me deu o Mingau, meu siamês  querido, há uns 7 anos atrás. Mas quando ela engravidou da Kaori, a médica já foi logo dizendo que minha irmã tinha que se livrar do Chico, que naquele tempo já estava com ela há uns 3 anos.

O motivo alegado é que gatos podem transmitir toxoplasmose, uma doença que pode provocar aborto ou má formação fetal. Como minha irmã é uma pessoa esclarecida, mais que essa médica com certeza, foi se informar sobre o assunto.

E o que ela descobriu, e eu também, ao me inteirar do assunto para este post, é que é muito difícil um gato caseiro passar toxoplasmose para suas donas. Pois cada gato infectado, embora conviva com a toxoplasmose a vida inteira, somente pode transmitir a doença através das fezes por um curto período, uma única vez.

É muito mais fácil uma grávida adquirir toxoplasmose por ingerir carnes mal cozidas ou verduras mal lavadas do que pelo seu gato. Gatos são criaturas muito asseadas e enterram suas fezes e não ficam com o pelo sujo. Para que as fezes dos gatos contaminados possam transmitir a doença devem estar expostas ao tempo por mais de três dias e a contaminação somente se dá pela ingestão dos oocistos formados depois desse período.

Quem ainda tem dúvidas, segue abaixo trecho extraído de matéria publicada pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Paraná:

“… A possibilidade de transmissão para seres humanos pelo simples ato de tocar ou acariciar um gato, ou até mesmo através de arranhões e mordidas, é considerada mínima ou inexistente. Ou seja, não se previne toxoplasmose congênita eliminando o gato uma mulher grávida, mas sim com cuidados higiênicos adequados na ingestão dos alimentos e com bons hábitos de higiene pessoal.

O uso de luvas e pazinha para a coleta diária das fezes dos gatos, a adequada lavagem das caixas de areia e das mãos são medidas simples, suficientemente eficazes para não se entrar em contato com o agente da toxoplasmose, uma vez que os oocistos, quando eliminados pelas fezes, necessitam de dois a cinco dias para esporular e se tornar infectantes, e permanecerem como tal por períodos de anos…”

Assim, simples hábitos de higiene são suficientes para se prevenir da toxoplasmose. Esses mitos de que grávidas não podem ficar perto de gatos e não podem ter gatos em casa são tremendas besteiras.

Minha irmã não deu ouvidos a essas bobagens e teve uma gravidez tranquila. Desde que nasceu a bebê, o Chico vive em volta dela e ela faz ele de gato e sapato.  Recentemente a Rachel Barbosa escreveu um post bacana no Monalisa de Pijamas sobre a vantagem do convívio entre crianças e animais.  Dentre as vantagens ela coloca o aumento da imunidade, o estímulo da coordenação motora e o desenvolvimento das relações afetivas.

Pelo que vejo da convivência da minha sobrinha com o Chico, todas essas vantagens realmente se aplicam. Pois minha sobrinha está se desenvolvendo uma criança saudável, alegre e muito carinhosa, seja com os animais, seja com as pessoas. Bom, já pelo lado do gato… Chico nem parece que é gato, deixa a bebê aprontar um monte com ele. Conta a mãe que outro dia Kaori deitou-se em cima dele e os dois foram escorregando ladeira abaixo na rampa da garagem: Chico embaixo de skate. Aí embaixo tá ela recentemente enfiando o dedo no olho do gato. É… ter bebês em casa pode ser perigoso para seu gato. 😉

Kaori e Chico

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