Ronrom

 

Ronrom

Estava evitando falar desse assunto, afinal o blog está apenas começando e já falar disso achei que não ia ser bacana. Mas como eu sou uma pessoa transparente e não sei ser de outra forma, não tenho como fugir disso.

Meu gatinho branco Ronrom está com insuficiência renal crônica, está bem doente desde o final do ano passado. Fizemos exames de sangue e ultrassonografia e o diagnóstico não foi nada bom… Ele está com os dois rins comprometidos e precisaria de um transplante de rim pra sobreviver, ou então fazer diálise pro resto da vida.

Ronrom é filho da Deedee e irmão do Dexter. Deedee teve eles em casa, em 2003, quando a gente morava em Criciúma. Está comigo desde então e sempre foi o meu filho doentinho.  Quando ainda era filhote caiu da sacada do apartamento, 6º andar. Quebrou duas patinhas: uma da frente e uma de trás. Passou mais de mês com tala, era engraçado ver ele andando com uma perna de cada lado enfaixada. Como aquela velha máxima de só lembrar de trocar a telha quando chove, depois disso colocamos rede na sacada. Eu chamava ele de Dodói e depois que sarou ainda sentava meio de lado, que a perninha de trás ficou um pouco dura.

Como o Dexter é um gato muito mais auto-confiante e metido, acaba sempre sendo o centro das atenções e Ronrom  em segundo plano, mas ele é um gato muito bonzinho, só que bem medroso. Talvez por ter caído da sacada quando pequeno ele ficou  inseguro.

Como ele fugia por qualquer coisa, me lembro que o Ricardo gostava de correr atrás dele de brincadeira. Uma vez ele espantou o gato e eu estava deitada na cama e o Ronrom passou correndo por cima do meu rosto, tenho uma cicatriz da unhada que levei no nariz até hoje. Na hora não parava de sangrar e briguei com o Ricardo e ele parou com essas gracinhas.

Novembro passado notei que ele estava emagrecendo, não estava comendo direito e bebendo muita água. Levamos ele na veterinária e ela achou primeiro que poderia ser um problema de fígado. Passamos muitas horas apreensivas sem saber o que ele tinha. Voltamos outro dia com o gato em jejum pra fazer exame de sangue. A coleta de sangue no gato é feita pela jugular, ou seja, no pescoço, uma pena o que ele teve que passar.

Os resultados não foram nada bons, alterações em vários aspectos.  Sem ter certeza de qual o problema com ele, tudo que a veterinária disse que a gente podia fazer é dar bastante comida pra ele.  Tentei dar várias comidinhas  mas ele comia muito pouco. Eu saia almoçar e trazia para casa pedaços de peixe embrulhados em guardanapo pra dar. Dava água de coco na seringa pra ele.

Contra a vontade do Ricardo trouxe o gato uma semana para Mafra pra cuidar dele. Tive que pedir permissão pro hotel onde fico pra deixarem eu ficar com ele no quarto. Levava o gato pra justiça de tarde deixava na sacada e o chefe olhando torto. Depois ele me chamou pra conversar dizer que não devia misturar o serviço com problemas pessoais. Comprei  briga até com uma amiga, porque usei o liquidificador da justiça pra bater patê pra ele. Tive que comprar outro copo de liquidificador. Tudo isso misturado com o final da faculdade e a poucos dias para a formatura. Foi uma loucura. Mas não me arrependo de ter trazido ele. Foi uma semana que passamos juntos em que ele teve minha exclusiva atenção, coisa difícil com cinco gatos em casa.

Mês passado fiquei arrasada, a veterinária falou até em eutanásia, chorei muito. Pesquisando sobre o assunto o que encontrei foi que transplante de rins para gatos por enquanto é feito somente nos Estados Unidos, onde há um programa que utiliza animais abandonados como doadores e em troca esses animais ganham um lar.

Não existe hospital veterinário em Curitiba que faça diálise, somente em São Paulo há clínicas que fazem diálise periodontal em gatos e ele teria que fazer pelo menos uma por semana.

Então, pensando nas opções, resolvi que eutanásia descarto, pois se não cogitamos fazer isso com gente, então não farei com meu bichinho, pelo menos não enquanto ele estiver andando e me reconhecendo e cada dia é um novo dia, pode ser que ele acorde bem, pode ser que não, mas é um novo dia e ele merece, como todos nós. Pensei muito em levá-lo fazer diálise, tivesse em Curitiba faria com certeza, mas como não tem… não quero submetê-lo ao stress de uma viagem longa e ainda a um procedimento invasivo num lugar estranho, longe de casa.

Por fim resolvemos cuidar dele em casa da melhor forma possível, deixá-lo confortável e lhe proporcionar pequenas alegrias, como a fonte de água que comprei pra ele. Essa semana ele não está nada bem… parece que está sumindo de tão magrinho, uma pena.

Ricardo transmitiu por vídeo os gatos para mim vê-los. É difícil estar longe de casa numa situação dessas. Mas Ricardo está cuidando deles e eu fico grata por isso.

Mas enfim, falei que não era um assunto legal, mas é importante. Insuficiência renal é muito difícil de ser diagnosticado precocemente, mas se você notar que seu cãozinho ou seu gatinho anda bebendo mais água que de costume e começa a emagrecer depressa é sinal de alerta. Para um diagnóstico preciso é necessário fazer uma ultrassonografia.

Update:

Escrevi o texto acima quinta feira, dia 5/3, aos prantos, e, chegando em casa sexta feira, com muita tristeza vi que Ronrom não estava nada bem. Já não tinha forças pra andar, cambaleava uns três passos e deitava cansado, ficava miando baixinho de cortar o coração.  Não aguentava ver aquilo, liguei pra veterinária sábado de manhã e à tarde ela veio vê-lo, disse que não havia mais nada a ser feito, a não ser acabar com o sofrimento dele. Eu sabia que o fim estava próximo, podia ser que ele se fosse sozinho no sábado mesmo, ou ficasse sofrendo mais dois ou três dias, não ia deixar isso acontecer com ele. A vet então lhe deu um sedativo e acabou com o sofrimento dele. Chamamos um crematório de animais e eles vieram buscar o corpo. Será cremado e as cinzas espalhadas no jardim da empresa. Eles disponibilizam páginas de homenagens pros bichinhos, bem bonito. Enquanto a do Ronrom não fica pronta, vejam um trecho da historia do Dodger, por exemplo, que a Katia, mãe dele, colocou:

“… Eu me dei conta de que cada vez que um dos meus gatos parte, ele leva um pedaço do meu coração com ele. Cada vez que um gato novo entra na minha vida, ele me abençoa com um pedaço do coração dele. Se eu viver uma vida bem longa, com sorte, todas as partes do meu coração serão de gatos, então eu me tornarei tão generoso e cheio de amor como eles…”

Só quem é apaixonado por gatos entende a verdade dessas palavras… Perdi um pedaço do meu coração hoje, mas Ronrom vai estar sempre comigo, em meus pensamentos.

Adeus meu gatinho dodói amado, muito obrigado por esses mais de cinco anos que passamos juntos e todo o amor que você me dedicou. Eu, Ricardo, Dex, Mingau e Deedee sentiremos muitas saudades de você.